10/09/2021

HORTIFRUTI/CEPEA: Semana é marcada por protestos em rodovias do BR

Grupos de caminhoneiros se manifestam a favor do atual governo

Por Caroline Ribeiro e equipe Hortifruti/Cepea
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Piracicaba, 10 – Manifestações de caminhoneiros têm sido registradas em rodovias de diversos estados brasileiros desde quarta-feira (08). Organizados por grupos específicos desta classe de trabalhadores, os protestos reivindicam pautas de cunho social e político, favoráveis ao atual governo brasileiro, e acontecem em pelo menos 15 estados – com bloqueios de estradas e paralisação de veículos de carga (exceto perecíveis e itens essenciais), conforme relatório emitido pela Polícia Rodoviária Federal. Segundo noticiado pela mídia, o ato ainda ocorre em alguns pontos nesta sexta-feira (10), mas o trânsito vem sendo liberado de forma gradual. Em nota, a PRF informou que "não há coordenação de qualquer entidade setorial do transporte rodoviário de cargas e a composição das mobilizações é heterogênea, não se limitando a demandas ligadas à categoria".

Ainda na semana passada, sob avisos da iminente paralisação, parte dos agentes do mercado de frutas e hortaliças se preparou, adiantando seus pedidos, a fim de evitar possível falta de transporte e perdas de produtos – como ocorrido na greve dos caminhoneiros de 2018. Assim, de forma geral, além da menor demanda, como reflexo do adiantamento das compras e do temor das perdas, dificuldades no transporte também afetaram o comércio de alguns HFs nos últimos dias. Confira os impactos para alguns produtos:

ALFACE – Além do feriado, a saída de folhosas foi prejudicada pelas paralisações, já que houve cancelamento de pedidos, especialmente de feirantes que atendem a região litorânea. Desta forma, com o aumento da oferta e o escoamento restrito, os preços recuaram.

MAÇÃ – Em algumas localidades do Sul, as manifestações foram mais intensas. Assim, classificadores optaram por adiantar as vendas antes do ocorrido, mas apenas para aqueles que possuíam clientes com contratos fechados, e até suspender suas atividades nesta semana (06 a 10/09), a fim de evitar prejuízos, caso o produto ficasse muito tempo parado na estrada. Este cenário, inclusive, comprometeu o fornecimento da fruta à Ceagesp no período. Neste cenário, a maioria dos atacadistas teve que trabalhar com estoque limitado e de frutas remanescentes da semana passada, que não estavam com qualidade satisfatória. Espera-se que, para a próxima semana, haja normalização das atividades logísticas, favorecendo um retorno do comércio de maçã.

MANGA – No Vale do São Francisco (PE/BA), agentes relatam que as paralisações foram menos intensas e, portanto, não houve impacto significativo ao fluxo de veículos. Já em Livramento de Nossa Senhora (BA), os protestos tiveram maior adesão. Ainda assim, em todas as praças, produtores relatam diminuição no volume de vendas – tanto vendedores quanto compradores foram cautelosos, visto que corriam o risco de as mercadorias não chegarem ao seu destino. Assim, como forma de prevenir perdas, muitos mangicultores aguardam o fim da paralisação.

MAMÃO – Algumas estradas do Espírito Santo foram bloqueadas. Assim, produtores de mamão do Norte do estado tiveram dificuldade para escoar a oferta ao longo desta semana (06 a 10/09). O ocorrido poderia resultar em muitos prejuízos, se não fosse a disponibilidade da fruta ainda controlada na região e a antecipação de cargas na semana anterior. Hoje (10), agentes relatam certa normalização dos envios.

MELANCIA – As manifestações diminuíram a disponibilidade de caminhões, afetando os carregamentos da fruta nas regiões produtoras. De acordo com colaboradores do Hortifruti/Cepea, em Uruana (GO), este contexto afetou o escoamento, levando à diminuição dos preços, como forma de garantir algumas vendas. Já nos centros de distribuição, mesmo com o menor volume de carregamento, não há previsão de desabastecimento de melancias, visto que muitos atacadistas as estocaram na semana anterior.

MELÃO – Os protestos resultaram em um cenário de incertezas nas regiões produtoras do Vale do São Francisco (BA/PE) e Rio Grande do Norte/Ceará, bem como na Ceagesp. Assim, muitos clientes optaram por não buscar mercadorias no período, com receio de ficarem parados em estradas bloqueadas. Além disso, alguns chegaram a antecipar as compras na semana passada. Como resultado, apesar da oferta controlada, as cotações recuaram.

BATATA – Dentre os atacados acompanhados pelo Hortifruti/Cepea, os do RJ e de MG tiveram mais dificuldade em receber a mercadoria nos últimos dias, devido à maior concentração das manifestações nestes locais. Nas roças, a oferta de batata, que já estava baixa, ficou ainda mais controlada, já que produtores optaram por “segurar” a colheita, temendo dificuldades nas vendas.

BANANA – Os mercados mais afetados pelas paralisações se concentraram nas regiões Norte de Santa Catarina e Norte do Espírito Santo, onde os bloqueios foram intensos. Assim, produtores que esperavam aumentar os preços da fruta, sobretudo de primeira qualidade, tiveram que realizar ajustes mais moderados ou até praticar descontos. Segundo colaboradores consultados pelo Hortifruti/Cepea, o cenário seria ainda mais complicado se não fosse o adiantamento de cargas ocorrido na semana passada – alguns clientes anteciparam pedidos, pois receavam que os protestos impactassem no fornecimento da fruta.

TOMATE – No geral, agentes relatam maior dificuldade no fluxo de envio do produto aos atacados, já que alguns caminhões foram parados nas estradas (embora em pouca quantidade).

UVA – No Vale do São Francisco (PE/BA), o ocorrido refletiu diretamente nas vendas da fruta, com o agravante do feriado prolongado no início da semana. De modo geral, clientes estiveram apreensivos em relação às compras de um produto perecível, em um contexto de possibilidade de paralisações nas rodovias. Nas principais centrais de abastecimento de São Paulo, houve diminuição no suprimento de uvas e a paralisação acentuou o menor ritmo de comercialização, já que a procura se manteve, mas a oferta diminuiu. Em alguns casos, segundo relatos de colaboradores do Hortifruti/Cepea, compradores chegaram a adquirir um maior volume de mercadorias até segunda-feira (06), por receio de significativa diminuição de seus estoques. Ainda que o mercado tenha se comportado de maneira ligeiramente incomum para a época (com procura firme), não foram observadas mudanças significativas nos preços.

Fonte: hfbrasil.org.br, Polícia Rodoviária Federal e G1

Tags: caminhoneiros, escoamento de alimentos, Manifestações de caminhoneiros 2021, mercado de HF, paralisação de caminhoneiros 2021

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