×
Espaço HF
Opinião parceiros e convidados

 

Espaço HF
Fevereiro 21, 2024
ESPAÇO HF: Vamos sair do El Niño para La Niña em 2024, por Fábio Marin
Fenômeno ENOS segue atuando no Brasil

 

Piracicaba, 21 – 2024 será um ano de pouca neutralidade (isto é, com fenômeno ENOS atuando no Brasil na maior parte do tempo). O El Niño se iniciou em abril/23, devendo ir até maio de 2024. Junho e julho tendem a ser de neutralidade climática, mas a partir de agosto, devemos estar sob atuação do La Niña.

O El Niño atual é classificado como moderado, sendo que os mais fortes ocorreram em 2015 e 2016. No entanto, no segundo semestre do ano passado, ele agiu com comportamento mais severo por cerca de três meses, o que deu a impressão que seria mesmo intenso pois coincidiu com a época de plantio de culturas anuais, tornando mais visíveis seu impacto. Mas, a partir do final do ano, ele perdeu força e até se desconfigurou em janeiro, com chuvas acima da média no Norte do País e chuvas mal distribuídas nos estados de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina.

É importante ressaltar que o Sudeste e o Centro-Oeste são regiões intermediárias, e a atuação do fenômeno ENOS não é tão evidente. Às vezes, essas regiões têm comportamento similar ao Sul (chuvas acima da média em anos de El Niño) e às vezes ao Norte (chuvas abaixo da média com La Niña). No segundo semestre de 2023, o que se observou é que São Paulo estava associado com o Sul, ou seja, chuvas bastante regulares, e a parte mais ao norte de Minas Gerais estava numa condição inversa à de São Paulo.

Apesar do El Niño moderado, as temperaturas, por sua vez, foram bem mais elevadas no Brasil. E isso para a agricultura não é bom, pois afeta a produtividade. É como se a gente tivesse “com o motor” da nossa cultura funcionando, com alta rotação o tempo todo e, consequentemente, a cultura agrícola não consegue desenvolver todo o seu potencial.  

Como podemos perceber neste começo de 2024, o El Niño perdeu força, mas ainda estaremos sob a influência dele até junho. Os meses de junho/julho serão de neutralidade e, em agosto, já estaremos sob o efeito do La Niña. Em fevereiro, ainda teremos chuvas acima da média no Brasil; já em março e abril, acontecerá uma reversão desse quadro: ficará mais seco, o que é clássico em anos de El Niño. Então, apesar de termos um El Niño se enfraquecendo, ele ainda persistirá, permitindo a manutenção de temperaturas elevadas. Assim, produtores que estão dependendo das chuvas em março e abril para fazer seus plantios, atenção: podemos ter chuvas bem abaixo da média nestes meses – e bem quentes.

Fábio Marin é professor associado da Esalq/USP, especialista em agrometeorologia e modelagem agrícola, e coordenador do Projeto Sistema Tempocampo.

Tags
calor
centro-oeste
chuva
clima
El niño
fenomeno enos
La Niña
Nordeste
norte
seca
Sudeste
Sul
temperatura
Notícias Relacionadas
Espaço HF
Julho 10, 2023
ESPAÇO HF: Enxertia, uma técnica crescente e necessária na tomaticultura, por João Roberto do Amaral Junior
Tecnologia, porém, é mais delicada e cara
leia mais
Espaço HF
Junho 12, 2023
ESPAÇO HF: O impacto do HLB (greening) na citricultura, por Gilberto Tozatti
Doença traz danos produtivos e econômicos
leia mais
Espaço HF
Maio 9, 2023
ESPAÇO HF: O mercado brasileiro de abacate, por Ligia Carvalho e Jonas Octávio
Conheça algumas ações da Associação "Abacates do Brasil"
leia mais
Espaço HF
Março 29, 2023
ESPAÇO HF: Tendências de consumo de alimentos no Brasil e no mundo nos próximos anos
Preocupação com qualidade de vida e sua ligação com alimentação saudável continuará sendo uma pauta crescente
leia mais
Espaço HF
Março 29, 2023
ESPAÇO HF: Tendências de consumo de frutas e hortaliças e o papel da IFPA, por Valeska Oliveira Ciré
Conveniência, praticidade e segurança do alimento são pautas importantes
leia mais
Espaço HF
Fevereiro 9, 2023
ESPAÇO HF: Previsões climáticas para o Brasil em 2023, por Fábio Marin
Sai La Niña, entra El Niño?
leia mais
Espaço HF
Dezembro 30, 2022
ESPAÇO HF: A atuação da Embrapa Hortaliças, por Warley Marcos Nascimento
Cadeia produtiva de hortaliças é bastante diversa no Brasil
leia mais