×
Tomate
Julho 6, 2016
Custos de produção de tomate em Caçador
Pequena e grande escala tiveram expressiva alta dos custos na região catarinense

Por João Paulo Deleo, Jair de Souza e Guilherme Paranhos
Compartilhar
+ Mais opções
  • Facebook
  • Enviar por e-mail
  • Copiar url curta
  • Imprimir
  • Comunicar erros
Custos de produção de tomate em Caçador Ver fotos

ALTA DOS DEFENSIVOS ELEVA CUSTOS DO PRODUTOR CATARINENSE DE PEQUENA ESCALA

O custo total por hectare da safra 2015/16 em Caçador teve expressiva alta de 27,6% frente à temporada anterior para produtores de pequena escala. Por conta do elevado volume de chuvas, o único item do Custo Operacional (CO) que reduziu foi a irrigação. O menor adensamento e, por conta disso, o aumento da área de cultivo de tomate (visando manter o mesmo número de plantas) diluíram o custo do capital imobilizado por uma área maior. Com isso, a alta nos valores de alguns itens que compõem o CARP foi anulada.

O custo de oportunidade da terra não teve alteração, ficando o mesmo da safra passada, embora produtores de grande escala da mesma região catarinense que arrendam terras sinalizem pagar mais caro pelo aluguel neste ano. Todos os demais itens apresentaram alta, com forte destaque para os defensivos. O gasto com defensivo agrícola cresceu 82,8% frente ao da safra anterior. Essa forte alta esteve atrelada ao aumento nos preços do insumo de um ano para o outro, já que, na safra passada, o dólar ainda não havia subido no período de compra desses defensivos. Além disso, o clima bastante chuvoso neste ano elevou o número de aplicações e a dosagem, impulsionando ainda mais os gastos. Os custos com fertilizantes também tiveram crescimento acentuado no último ano, de 51,5%, por conta dos preços mais elevados.

Os gastos com as operações mecânicas tiveram forte salto de um ano para o outro, de 45%, devido ao aumento no preço do óleo diesel e ao maior número de pulverizações, por conta do clima chuvoso. O número médio de pulverizações subiu 50% nesta temporada frente à anterior, passando para 60 no ciclo da cultura. O incremento nos custos com utilitários foi de 37,3%, como resultado do maior valor da gasolina. Os gastos com sementes subiram 7,1% de uma temporada para outra, o que provavelmente pode ser explicado pelo mesmo motivo observado em Mogi Guaçu, que é a maior concorrência entre empresas.

Os gastos com mão de obra seguem em ascensão, com alta de 13,6% na safra 2015/16, devido ao constante aumento do salário mínimo e à dificuldade de contratação de mão de obra de qualidade, embora a oferta de trabalhador tenha crescido. Quanto ao quadro de funcionários, foram mantidas três pessoas contratadas pelo período de seis meses. O pró-labore do produtor, considerado durante seis meses do ano (safra do tomate), se manteve em R$ 1.500,00/mês. Mesmo com a elevação da inflação, os produtores acreditam que essa estrutura não consegue pagar um valor maior de pró-labore.

 

 

CUSTOS TAMBÉM SEGUEM EM ALTA PARA OS PRODUTORES DE GRANDE ESCALA DE CAÇADOR

O custo total de produção por hectare também foi maior na safra 2015/16 para o produtor de grande escala da região de Caçador, superando em 38,7% o da temporada anterior. Nenhum item teve recuo de preços. A irrigação, inclusive, teve alta acentuada, justificada em parte pelo

maior custo com o óleo diesel (já que o mais comum para esse produtor é motobomba a diesel). Ao contrário do que aconteceu na pequena escala de produção, a irrigação acabou sendo o item com maior alta nos custos entre um ano e outro, subindo expressivos 185,2%. Apesar disso, a intensidade na irrigação neste último ano foi menor que no anterior, já que foi uma temporada mais chuvosa.

Os gastos com defensivos aumentaram 38,4% (por hectare) na última safra frente à anterior. Além da elevação nos preços desse insumo, devido à alta do dólar, o clima chuvoso também influenciou o maior gasto com defensivos.

A alta nos fertilizantes foi de 27,8% nesta última temporada em relação à anterior, também em decorrência do dólar elevado. As sementes tiveram reajuste limitado, de 8,9%.

Já o dispêndio com operações mecânicas foi 43,9% maior neste ano, resultado do combustível mais caro e da necessidade de aumento no número de pulverizações quando comparado com o ano passado. Enquanto na temporada anterior produtores estimaram gastar 30 horas de máquina por hectare para fazer todas as pulverizações, na safra 2015/16, o tempo subiu para 50 horas.

Os gastos com mão de obra, item de maior participação na composição dos custos, continuaram em elevação, de 33,2%. Além do aumento anual do salário mínimo, o reajuste nas gratificações e a redução da área de cultivo, que diminuiu o rateio para a mão de obra fixa, influenciaram a elevação no gasto com a mão de obra. Mesmo com o recuo de área, não foi possível reduzir o número desses funcionários. Os custos por hectare com a mão de obra temporária aumentaram 22,4% e com a mão de obra fixa, expressivos 103,6%.

O estudo completo sobre os custos de produção de tomate das últimas duas safras está disponível no Especial Tomate (edição de junho): https://www.hfbrasil.org.br/br/revista.aspx

 

A reprodução do nosso conteúdo só é permitida com a citação da hfbrasil.org.br como fonte. Para saber mais sobre nossa política de reprodução clique aqui

Tags